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20 julho 2007

Isto é...



...uma experiência de poesia concreta em meio interactivo, por Ana Hatherly, pioneira da poesia concreta desde os anos 60: http://www.interact.com.pt/interact1/lab_1.html

03 julho 2007

A cultura de merceeiro



«O presidente da administração de Serralves, Gomes Pinho, defende a extinção do Ministério da Cultura» (Público, 30 de Junho 2007). Diz que, com este “elemento quase simbólico”, quer “lançar o debate público sobre a matéria”. Curiosa pedrada de quem administra uma fundação cujo orçamento é pago pelo mesmo Ministério da Cultura a 50%. Na verdade, o “advogado e gestor” não pretende acabar com o financiamento do Estado às instituições culturais, apenas pretende alargar a privatização da cultura, cujo “serviço público” seria pago pelo estado.

Ou seja, em vez de serem os criadores a dirigir-se directamente ao MC para obterem apoios para as suas actividades, seriam os advogados e gestores da cultura a fazê-lo. Muito cómodo. Os criadores passariam a lidar portanto directamente com estes advogados de outra causa que não é certamente a mesma que a sua. Os advogados do gosto dominante, os angariadores de públicos para a cultura, que, muito oportunamente, recebem chorudos financiamentos estatais.

Ora, se existem iluminados capazes de fazer da cultura um negócio, para que há-de existir um ministério da cultura, sujeito ao escrutínio público, a contas públicas, à renovação periódica de ministros e directores de teatros e tudo o mais? Que desperdício. Entregue-se a tarefa aos burocratas da finança que eles se encarregarão, no anonimato dos seus gabinetes, de fazer valer a cultura que vale dinheiro – aquela que dá público e prestígio – e, já agora, facilitar os negócios de lavagem de dinheiro que o comércio da arte tanto ajuda. O paraíso.

Então e os concursos e as pontuações e os júris rotativos de especialistas de teatro e de dança e de cinema e de artes e de tudo o mais? Quem precisa de jurados e especialistas, quando o que interessa são os públicos? A cultura, diz ele, “tornou-se uma utility”. “Então é preciso reposicionar o Estado nisso, e ver a cultura a partir da óptica do fruidor, do consumidor”. Adeus cidadania, o direito à voz própria transforma-se em direito de consumir (pagando).

Assim, a independência face ao estado ficaria livre das “tentações – que são humanas – de imposição de gostos pessoais”, diz ele, querendo insinuar que os subsídios são dados por preferências políticas, “obviamente, porque os políticos não são santos”. Os decisores privados, esses seriam isentos. Grande falácia. Ora, é para isso mesmo que existem júris especializados, para evitar favorecimentos. De facto, só o Estado pode garantir, pela transparência das suas regras e regulamentos e legislações, a maior equidade.

Então e os artistas? Ora, que vão bater às portas e lamber as botas dos senhores poderosos, desses pseudo-mecenas que gastam o que não é seu, segundo o critério universal da sua arbitrariedade. Que se sujeitem às leis da ”concorrência internacional”. De que estará ele a falar? De cultura portuguesa? Esqueçam Portugal, agora estamos na Europa, no mundo. Como ele diz, “os talentos são muito móveis – não sei se serão tão móveis como o capital”. Brincamos? Os administradores da arte têm altas ambições para as suas cobaias, os “novos criadores” vendidos fresquinhos como as alfaces e trocados como um produto perecível de mercearia. A menos, claro, que os iluminados vejam neste e naquele talento firmado a lâmpada de Aladino dos cifrões, a estrela capaz embasbacar as massas e atrair a massa.

O problema destes gestores é a sua cultura de merceeiro, que lhes deve ser muito útil, mas que se distingue radicalmente da genuína cultura. O senhor Gomes Pinho não está a falar de cultura, senão de comércio e margens de lucro. Mas a autêntica cultura não é um negócio, nem o consumo da dita, nem um campo onde a concorrência dita as leis, como ele pretende.

A cultura é a necessidade humana de exprimir e criar segundo leis próprias. Para conseguir chegar aos outros, independentemente, muitas vezes, de obter ou não sucesso junto do público. O ideal da cultura é ser livre, gratuita, independente. A cultura é o amor do conhecimento, da descoberta, da investigação; é a invenção pura, a arte pela arte, a liberdade do gesto, a intervenção pública ou a necessidade de revolta.

Nada disto cabe na sua carteira de “programações com estabilidade”, de “contratualizar com o estado programas de cinco a dez anos com metas quantitativas e qualitativas”, de “uma política de atracção de talentos do estrangeiro”. Então, o ministério da cultura não tem como missão apoiar os criadores portugueses ou de Portugal? Para António Gomes Pinho parece que tem a missão de trazer criadores estrangeiros de prestígio para gerarem grandes movimentações de massas. É a síndroma Frank Gehry, a cultura dos novos-ricos, dos especuladores, das estrelas do poder.

O entrevistador, muito a jeito, pergunta-lhe se não gostaria de “pôr isso politicamente em prática, eventualmente num próximo governo”. Espantosa pergunta. Visto que o seu propósito é extinguir o MC e substituí-lo por financiamentos transversais a todos os ministérios – numa óptica promocional e utilitária dos objectivos desses sectores da economia – resta-lhe o tal lugar que há-de “substituir o MC, a nível de governo, por uma estrutura muito flexível junto do primeiro-ministro”. A ver se pega.

O Ministério da Cultura que tutela os museus e o património histórico, os monumentos arqueológicos, os arquivos de cinema, a memória das artes, os teatros nacionais, as orquestras e as companhias de dança, a biblioteca nacional e tudo o mais – tudo aquilo que é de todos nós, que é a nossa cultura comum – deve existir sempre para que tudo isso continue sendo património nacional.

Que vivam as fundações, mas não comam tudo. Agora querem todos ser berardos.

Imagem: Miguel Palma

09 junho 2007

Acontece em Coimbra



Um excelente blogue dirigido por Manuel Portela, acerca das actividades do TAGV: www.blogtagv.blogspot.com.

Na foto: conferência de Alberto Pimenta.

09 abril 2007

Ante-estreia (2)



Pintura Habitada, o filme de Joana Ascensão que ganhou o grande prémio Doclisboa 2006, terá a sua ante-estreia formal na Cinemateca, no próximo dia 13 de Abril, sexta-feira, às 21h30. Este filme é um caso particular de documentário sobre arte, pois, mais do que revelar a pessoa do artista, a pintora-fotógrafa Helena Almeida, procura aproximar-se da sua obra, numa operação delicada de transposição de uma linguagem pictórica para uma expressão cinematográfica de gestos e intenções subjacentes à criação.

Esse é o objectivo do qual não se afasta e, com uma exigência formal equivalente à da obra retratada, quer revelar outras dimensões da trabalho da pintora. Fugindo ostensivamente ao retrato humano, consegue dar vida à pintura e habitá-la, como o título justamente aponta. Pertence a um género de filmes que não pretendem afirmar um ponto de vista individual, senão aquele que nasce de uma confluência de olhares que se corporizam na obra e ganham autonomia ontológica.

P.S. A ante-estreia deste filme foi, pelos vistos, levada a cabo pelo Cineclube de Faro, no dia 28 de Março (vide comentário abaixo).

12 janeiro 2007

Abismo azul



Achei óptima a exposição do Amadeo, muito lúcida e elucidativa na disposição dos núcleos de obras e na sua relação visual com obras de outros contemporâneos. Muito completa, muito inteligível. Esperei só meia hora porque fui cedo (mas às 11h já a fila ia no piso de baixo). Todo aquele movimento de gente, excursões de adolescentes e de ingleses, tanta gente, fez-me lembrar a deliciosa sequência inicial - o buliço da inauguração - do filme de Paulo Rocha, Máscara de Aço contra Abismo Azul, sobre a anterior exposição de Amadeo (circa 1988), com os fragmentos de conversas desconcertadas que se ouvem por entre as pinturas fugidias e os casacões soturnos: "Não há pachorra [para estar na bicha]... Puseram a moldura saliente... Vejam as cores quentes e as cores frias... A minha mãe ficou no impressionismo... Isto que aqui vêem é o abstraccionismo... As cores vivas não têm que ser agressivas..."

Não resisti a sacar, mais uma vez do Ultraperiférico, a imagem acima, uma das fotografias experimentais de Amadeo (que não estão na exposição), embora discorde da atitude fundamental de que "há críticas que podem e devem fazer-se ". Talvez não.

11 janeiro 2007

Almada e Amadeo


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90 anos depois, ainda não consegui ver a exposição, tais são as monstruosas filas.

Imagem retirada de Ultraperiférico.

03 janeiro 2007

Felizes e Companhia



Felizes da Fé, Manifestação contra o fim do mês, Lisboa, 1986; Manifestação contra o fim do ano, Nantes, 2006.

02 janeiro 2007

Oliveira e Oliveira



Douro, faina fluvial (1931); Acto da Primavera (1963); Manoel de Oliveira.

01 janeiro 2007

Hatherly e Deleuze



Ana Hatherly; Gilles Deleuze.

31 dezembro 2006

Brossa e Alda



Joan Brossa; Vocabulário de Inverno, Antero de Alda, 1984.

30 dezembro 2006

Hegedús e Uríbe



Mária Hegedús; Centauros en manada, de Ana Maria Uríbe.

29 dezembro 2006

Almeida e Pimenta



Tela Habitada, de Helena Almeida, 1976; Homo Sapiens, performance de Alberto Pimenta, 1977.

28 dezembro 2006

Vieira e Debreix



João Vieira; 'Um metro e meio de poesia', de Gastão Debreix.

27 dezembro 2006

Beltran e Brossa



Essência, de José Carlos Beltran; Burocracia, de Joan Brossa.

26 dezembro 2006

Aragão e Seixas



Bancu, de António Aragão; A Mão, objecto de Cruzeiro Seixas, 1961.

25 dezembro 2006

Brossa e Cesariny



Poema visual de Joan Brossa, 1971-1982; "Homenagem a André Breton", peça de joalharia de Mário Cesariny.

24 dezembro 2006

Poesia visual



Poemas visuais, poemas-objecto, instalações, cartazes e livros do poeta catalão Joan Brossa numa extraordinária exposição no Instituto Camões em Lisboa. "Poeta, dramaturgo, artista plástico e designer, o seu trabalho abrangeu igualmente a prosa poética, a música, o teatro e o cinema, o design gráfico, a magia e o circo."

Só até 5 de Janeiro - a não perder mesmo: http://www.instituto-camoes.pt/destaques/expo_brossa.htm

Horário: de Segunda a Sexta (exceptos feriados) das 10h às 18h
Instituto Camões: Av. Liberdade, 270 (Rotunda)

22 dezembro 2006

Genealogia imperfeita das artes do século XX


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A designação «artes multimedia» serve-nos aqui para referir, de um modo geral, as expressões artísticas que integram na sua realização diferentes media - ou seja, meios de comunicação e expressão, entendidos como canal ou como código do processo de comunicação (vide esquema de comunicação). De um modo geral, estes media são derivados das tecnologias que o século XX viu crescer, mas tendo como antepassado respeitável a imprensa. Nas 'artes multimedia' integramos assim as expressões artísticas que utilizam, ou que reflectem, aparatos tecnológicos modernos, enquanto canais: fotografia, cinema, audio, video, mecânica, informática, etc., ou meios de comunicação social (imprensa, televisão, rádio, publicidade, etc.); e integramos também, enquanto linguagens: o espectáculo teatral e musical, a performance, a instalação, o cinema e o video, o 'audiovisual', as artes plásticas, o design, a literatura, a cibernética, e tudo o mais, na medida em que se concretizem sob formas mistas e multiformes, mais correntemente designadas de 'multimedia', se tendem para integração ou fusão de vários media, ou ‘intermedia’, se associam linguagens e técnicas diferentes.

Em 1800 e tal, Wagner introduziu a expressão «arte total» para reinventar a ideia de uma obra de arte que se apresenta una na sua totalidade, pela conjugação de diferentes linguagens e técnicas: a poesia, a música, o teatro, a cenografia, a luz, etc., tudo isto submetido a uma visão do espectáculo operático como uma experiência quase religiosa e capaz de subjugar, estética, emocional e ideologicamente, o espectador - tal como o fizera o teatro grego antigo, e como também o cinema de massas depois o conseguiu. A realidade virtual também procura lá chegar, mas é só, ainda, uma promessa com vários arremedos.

Deste ramo do teatro musical cresce toda a tradição da ópera e do espectáculo musical, na qual os Ballets Russes (1917-29) se destacam como momento de revolução modernista. Outro tronco, por excelência ‘multimedia’ e integrador de linguagens, é o do teatro, tronco de origem antiquíssima, cuja linguagem e técnicas têm história própria, que não caberia neste esboço de genealogia das artes solitárias que procuram casamento.

Já os futuristas e dadaistas, usaram todos os meios possíveis para inventar formas de expressão completamente novas: a colagem, a 'tipografia', a fotografia, o ready-made, a performance, a poesia sonora, a música-ruído, e outros processos indeterminados de criar obras. Toda a arte moderna tem raízes, em maior ou menor grau, neles.

O ramo da performance começa com os avós italianos da família Marinetti (1911) e com os avós germano-suíços da família de Hugo Ball (1916). As suas performances têm ainda forma panfletária, num caso, e forma de cabaret absurdo, no outro. São sincréticas com a poesia, com as artes plásticas e com o teatro. Poucos anos depois (1919), Oskar Schlemmer torna-se o primeiro professor de performance e cria, na Bauhaus Stage, formas de teatro muitíssimo elaboradas a nível plástico, sonoro e tecnológico, que cabem na designação ‘teatro total’ de Moholy-Nagy.
Paralelamente, o primo Diaghilev, com seus amigos, cria os Ballets Russes, reunindo e integrando formas inovadoras de música, cenografia e teatro. (Omitindo, sem ofensa, os outros primos 'futuristas' russos.) Almada, em Portugal, assiste aos ballets russes (1917 e 1919), já depois de ele próprio ter nascido para o mundo como multi-artista e tudo.

No final dos anos 40 e durante os 50 até aos 60, vários galhos crescem do ramo da artes performativas: os letristas, fluxus e situacionistas em Paris, cruzando - na designação de 'intermedia' - todas as linguagens para lhes explorar todas as possibilidades; e os tios americanos: John Cage unindo a música às artes da dança (Cunhingham) e do acaso; ou Allan Kaprow, jogando com o imprevisto em instalações-happening com a participação, mais ou menos voluntária, do público. De Fluxus despontam Wolf Vostell ou Nam June Paik, cujas instalações crescem como cogumelos da sociedade do consumo e das tecnologias; e as acções revolucionários e políticas de Beuys, apontadas à consciência. A partir daí, no reino da performance, florescem tantas experiências, até aos nossos dias, que é difícil colhê-las e escolhê-las. No galho mais main stream deste ramo, salienta-se (pela propaganda) Robert Wilson, com o seu 'teatro de imagens'. Kurt Schwitters, irmão dissidente da família dada, inventa Merz e faz crescer todos os seus rebentos, desde a poesia-música à construção-instalação, sem esquecer a reflexão. Sujeito a várias podas (de Hitler e outras), o seu galho cresce com maior vigor e prolonga a vida do tronco Dada por muitos anos. Deixa uma grande herança, mas poucos herdeiros.

No ramo da fotografia, Christian. Schad, da família dada, inventa em 1918 a técnica de impressão fotográfica designada 'schadografia', que consiste em impressionar a película com a silhueta de objectos colocados sobre ela. Man Ray, a partir de 1922 retoma esta técnica, agora chamada de 'rayografia'. Enquanto a fotografia como expressão artística se desenvolve autonomamente, as virtualidades mediúnicas e contextuais da representação fotográfica só nos anos 60 é que desabrocham, com a exploração plástica e espacial deste suporte, em conjugação com outras linguagens: política, literária, pictórica ou conceptual. Daí para a frente, a fotografia reflecte sobre si sempre, e em si encontra o mundo e no mundo encontra o espelho, e no espelho vê-se a si, em perpétua viagem interior. É paradigma de todos os metadiscursos, parente próxima de todos os ecrãs e lentes com que nos observamos.

No ramo do cinema, os futuristas são progenitores e antevêem a força de sugestão que este meio terá futuramente. Depois, os sobrinhos surrealistas (Dali e Buñuel, claro) encontram nele campo para fazer brotar do subsolo o indizível, mas visível. Já nos anos 60, Maurice Kagel (do ramo dos músicos teatrais, dito 'teatro musical', cunhado da música experimental e/ou electrónica), como cineasta experimental, desenvolve, numa linguagem aparentada do surrealismo, acontecimentos in cinema que envolvem tecnologias paradoxais e ambientes sonoros indescritíveis. Nos anos 60 e 70, o filme, e em seguida o vídeo, começa a integrar as performances, as instalações e os objectos plásticos, reflectindo continuadamente sobre as suas virtualidades como medium, como agente e como testemunha. Hoje, a imagem fílmica continua procurando-se em si, com grande perturbação.

O ramo musical da família multimedia , com lianas lançadas sobre os ramos da poesia (Schwitters), da performance (Cage) e do teatro (Kagel), preservou durante o século XX uma certa autonomia, não se expandindo tanto sobre as outras artes, como as outras artes se expandiram sobre ela, para ela e à custa dela. Mas o seu crescimento, a nível puramente musical, desenvolveu-se, a partir dos anos 60, a par da tecnologia e da electrónica, aprofundando a sua pesquisa até às raízes do objecto sonoro. Descendendo de intonarumore (noise music), invenção futurista de Russolo (1913), encontramos a integração de sons e ruídos na partitura e na performance musical, e o desenvolvimento de organologias experimentais e de paisagens sonoras.

No ramo da literatura, descendem de dada os letristas de Paris (apontados por Schwitters como imitadores) explorando as possibilidades fonéticas da intervenção poética, e depois os poetas concretos, visuais e experimentais dos anos 60 e seguintes (família com muitos primos portugueses e brasileiros), que desenvolvem múltiplas reflexão sobre os signos, linguísticos ou outros, tomados formal e semanticamente, solitários ou entrançados, numa aproximação declarada às artes plásticas. Os poetas concretos, agarrando na poesia com as mãos, reconhecem como seus antepassados os cultistas e conceptistas barrocos que se entretinham a trabalhar a filigrana das palavras, em delicados enigmas e jogos labirínticos. Desta raiz formalista deriva igualmente o grupo OuLiPo (Ouvroir de Littérature Potencielle), que, também nos anos 60, inventou formas combinatórias de criação literária, usando como modelo operativo a cibernética e a matemática para desenvolver estruturas narrativas e poéticas. Algumas destas obras-primas são de Italo Calvino, Georges Perec e Raymond Queneaux.

O tronco da cibernética desenvolveu-se tão espantosamente que hoje sustenta quase todos os media e actividades sociais. Grande parte das funcionalidades dos sistemas informáticos de hoje (chamados multimedia) são desenvolvimentos de tecnologias, técnicas e linguagens de outrora, mas não todas... E das suas consequências a nível da comunicação e das artes, ainda é difícil falar, porque está acontecendo. Daqui deriva o galho do hipertexto, maravilhosa criação in vitro, que permite reproduzir estruturas mentais virtuais, agora tornadas reais. Aqui despontam os rebentos de uma literatura hipertextual, ainda pouco definidos. Por outro lado, a possibilidade de trabalhar digitalmente qualquer tipo de imagem, faz germinar, dos ramos da fotografia e da pintura, uma nova ‘arte digital’, que altera por completo os pressupostos de realidade, origem e autenticidade anteriormente subjacentes às imagens.

No campo da teoria dos media e da comunicação, Mc Luhan ou Moles lavravam as suas teorias, enquanto, pendurados nos galhos desta árvore, os artistas plásticos exercitavam o seu pensamento, visionários de que realmente o medium é a mensagem (e a massagem) e conscientes de que os media, enquanto media, transformaram os conteúdos da comunicação e geraram a sociedade do espectáculo e a aldeia global. Por outro lado, nos novos media e nas novas tecnologias, os artistas encontraram outras possibilidades plásticas e outras formas de realidade, que não cessam de estimular a imaginação.

Leonor Areal, Março 2001

06 novembro 2006

Águas Furtadas



Este é o (belo) anúncio do nº 10 de aguasfurtadas, (excelente) revista (em papel) de literatura, música e artes visuais (cujo blogue é http://revista-aguasfurtadas.blogspot.com/).

20 outubro 2006

Isto não é uma imagem